Diariamente, dezenas de milhões de pessoas de todo o planeta ligam os seus computadores pessoais e dispositivos portáteis para obter informações sobre produtos ou para reunir dados que os ajudam na tomada de decisões. No entanto, o valor económico dessa enorme corrente de pesquisa ainda não tinha sido totalmente avaliado. Até agora, as estimativas baseavam-se em factores como o número de pesquisas realizadas ou as receitas de publicidade anunciadas pelas empresas responsáveis pelos motores de busca. Ficavam excluídos os efeitos da pesquisa online na produtividade e na resolução de problemas.
O estudo do Mckinsey Global Institute “O impacto das tecnologias da Internet: Pesquisa”, divulgado em Agosto, faz uma análise mais abrangente deste fenómeno, avaliando o seu peso na economia global e a sua crescente importância. Brasil, França, Alemanha, Índia e Estados Unidos foram os países desenvolvidos e em desenvolvimento cujas economias foram estudadas. A investigação identifica as principais vantagens da pesquisa, bem como os principais beneficiários. A Add deixa-lhe as principais conclusões:
- Tendo como base a análise a nível nacional, estima-se em 578,6 mil milhões de euros o valor total bruto da pesquisa online na economia global em 2009 – o equivalente ao PIB dos Países Baixos ou da Turquia. De acordo com a estimativa, cada pesquisa vale cerca de 0,37 euros.
- Daquele valor (578,6 mil milhões), 400 mil milhões de euros (69%) reverteram directamente para o PIB global, principalmente na forma de comércio electrónico, receitas de publicidade e acréscimo de produtividade nas empresas. A pesquisa contribui para 1,2% do PIB norte-americano e para 0,5% do PIB da Índia.
- Os restantes 178 mil milhões de euros (31%) não aparecem em estatísticas do PIB. Atingem indivíduos – em vez de empresas – e traduzem-se em benefícios como preços mais baixos, conveniência e economia de tempo, pela rapidez de acesso à informação. Esses benefícios são estimados em 14,8 euros por mês para os consumidores de França, Alemanha e Estados Unidos, e em entre 1,4 e 3,7 euros por mês para os seus homólogos do Brasil e Índia.
- Entre os retalhistas, o valor da pesquisa online representou, em 2009, 2% do total da receita anual nos países desenvolvidos e 1% nos países em desenvolvimento. Esse valor resultou directamente de compras online, bem como de pesquisas online que conduziram a vendas nas lojas. Os retalhistas dos EUA arrecadaram 50 mil milhões de euros em receitas relacionadas com pesquisas, enquanto no Brasil esse valor foi de cerca de 1,7 mil milhões.
- Nos cinco países estudados, os ganhos de produtividade ao nível do trabalho intelectual proporcionados pela pesquisa na Internet ascendem a 87 mil milhões de euros.
- A investigação do Mckinsey Global Institute identificou também as novas realidades a que a pesquisa online deu lugar. Uma delas é a ascensão de um novo nicho de retalho, uma vez que as técnicas de pesquisa permitem aos consumidores aceder a segmentos de produtos cada vez mais específicos. Outra dessas realidades são os novos modelos de negócio criados a pensar nos consumidores que pesquisam através de dispositivos móveis.

