Prolixidade vs clareza
23 fevereiro 2011

O Conselho de Administração defende o conceito de corporate governance, necessariamente interiorizado pelas instituições, de forma a que estas realizem uma gestão eficaz e eficiente dos recursos sempre limitados, envolvendo todos os profissionais que têm a primordial actividade de prestar serviços de auditoria, de modo a atingir a qualidade total e a jubilação dos clientes que naturalmente recorrem aos nossos serviços.

Ficou sem fôlego? Perdeu-se a meio? É natural. É o que acontece quando se diz em sessenta palavras o que é possível dizer em quarenta e se insiste em juntar essas sessenta palavras numa única frase. Acrescente a estes ingredientes alguns advérbios de modo, palavras caras e redundâncias e tem a receita para um discurso denso e imperceptível, com excesso de ideias e orações.

Mas há alternativa! Que tal dizer…

O Conselho de Administração defende o conceito de corporate governance como uma forma eficaz de gestão de recursos limitados. O sistema tem o mérito de envolver os auditores e promover a qualidade do serviço, o que resulta na satisfação dos clientes.

Na opinião de David Silverman, empresário, executivo e professor de redacção empresarial numa universidade norte-americana, a prevalência da extensão sobre a clareza é um vício demasiado comum na linguagem das empresas. “É preferível expor os vários pontos de vista possíveis, não vá ser que fique de fora a versão que nos permitiria ganhar alguns pontos junto do patrão”. Além disso cortar texto é visto como um atentado a algo que já passou a ser património da empresa.

Estes vícios resultam de uma herança do sistema de ensino, que desde cedo vai premiando os trabalhos apresentados pelos alunos em função do número de páginas. Antes de chegar ao mercado de trabalho, os jovens já preferem “realizar operações” em vez de “fazer contas” e usar “dispositivos de impressão com recurso a tinta” em vez de “impressoras”. Esta formatação de longa data é difícil de corrigir, até porque as versões longas e vagas vão sendo encorajadas noutros contextos.

De qualquer forma, e se o seu objectivo for eliminar barreiras à comunicação e fazer chegar a mensagem ao receptor de forma imediata e clara – seja ele cliente, fornecedor ou accionista –, vale a pena fazer um exercício de autocontrolo: regresse ao texto que escreveu um dia ou umas horas depois e tente reduzi-lo para metade. O que perde em caracteres vai ganhar em conteúdo.

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