Mais cedo ou mais tarde, no seu percurso escolar ou profissional, chegará o dia em que terá que falar para uma audiência. Esqueça o tremor das pernas, a boca seca, as mãos suadas e aquele nó na garganta que lhe altera a voz e o faz tropeçar nas palavras. Há diversas formas de enfrentar o medo de falar em público e de captar a atenção dos ouvintes.
Harry Beckwith, reputado orador na área da psicologia do consumidor, chama-nos a atenção para a interessante premissa de que nada é melhor para um orador nervoso do que um público feliz e envolvido. Assim, deixa-nos as seguintes dicas para vencer a glossofobia.
Conte histórias, pois desde tenra idade que estamos habituados a aprender o mundo através de narrativas, e não em bullets.
Quando Lou Gerstner se tornou CEO da IBM, a empresa estava excessivamente burocratizada e focada em si mesma. Numa importante reunião de gestores, Gerstner desligou o projector e pediu que, em alternativa, simplesmente conversassem. Em toda a empresa rapidamente se soube desta história, e ter os melhores slides deixou de ser um dos critérios de sucesso.
Alguns estudos neurológicos, conduzidos pela Universidade de Princeton, mostram que a comunicação através de histórias tem o poder de sincronizar os cérebros do orador e do ouvinte. As histórias fazem-nos pensar na narrativa, ansiar pelo desenlace e encantam-nos.
Seja humilde e respeitador, pois as pessoas não querem ficar impressionadas. Querem sentir-se respeitadas. Não assuma o papel de professor ou de detentor de um conhecimento exclusivo. Se a sua comunicação não verbal transmitir "eu sei mais do que tu", as pessoas não quererão saber do que está a dizer.
Este princípio aplica-se também à sua forma de se vestir. Vista-se como a audiência, só um pouco melhor.
Não impressione, partilhe!
Acredite no que diz e mostre-o. Se quer realmente ajudar os seus ouvintes, informando ou motivando-os, eles vão ouvir e acreditar. Mas somente acreditarão se você também o fizer, e o mostrar inequivocamente.
Olhe nos olhos, para transmitir confiança. Mesmo que esteja relativamente longe e seja mais um par de olhos, entre centenas de outros. Não confiamos em alguém que não nos olha nos olhos, pois é através deles que tentamos avaliar a personalidade do outro.
Se olhar para cada um dos seus ouvintes alguns segundos que seja, fará com que cada um se sinta numa conversa e não num discurso. Não abuse dos slides, sob pena de a audiência se “esquecer” de si. É fundamental preparar-se muito bem para, entre várias razões, não cometer o comum erro de ler os seus slides, de costas para a audiência.
Prepare-se muito bem. É provavelmente a dica mais importante. Todas as outras parecerão um mau espectáculo de mímica, se a sua oratória não fluir com suavidade e coerência. Ensaie o que tem para dizer. Estude os tempos. Deixe espaço para intervenções da audiência e estude-a, pois assim conseguirá passar a mensagem principal – vocês são importantes para mim.
Repita-se para auxiliar a memorização. A repetição não só auxilia a memorização como reforça a credibilidade da mensagem. A pesquisa demonstra que as pessoas mais facilmente acreditam em algo que ouviram várias vezes, mesmo que transmitido pela mesma pessoa.
Use a música, não literalmente mas como fonte de inspiração. Varie os tons do seu discurso, exclame quando for importante e sussurre quando for algo exclusivo. Acelere e desacelere o ritmo para manter a atenção. Faça bom uso das pausas e silêncios. O timing é a chave.
Obrigado por ler estas dicas e boa apresentação.

