A tecnologia está a alterar os rituais amorosos entre os adolescentes e jovens. O namoro à janela, do tempo dos avós, e as longas conversas dos nossos pais ao telefone foram substituídos por dinâmicas mais próprias dos novos tempos.
Segundo um esquema traçado pela Ericsson ConsumerLab, num estudo de 2011 sobre a comunicação e socialização entre os jovens, depois de um primeiro contacto presencial, os adolescentes procuram saber o nome da pessoa que lhes despertou interesse e fazem-lhe um pedido de amizade no Facebook. Seguem-se os “likes” ou “pokes” e as conversas online via Messenger, que acabam por proporcionar a troca dos números de telemóvel. A fase seguinte, de troca de mensagens sms, conduz à marcação de um encontro, que, numa primeira fase, envolve muitas vezes os amigos de ambas as partes. Depois de um ou vários encontros a dois, o rapaz já não vai a casa dos pais da rapariga pedir permissão para namorá-la, mas é comum avançar – ele ou ela – com um pedido de relacionamento no Facebook, que ao ser aceite, altera o status publicado e é visto pelos amigos como um anúncio oficial de namoro.
É curioso verificar que a tecnologia interfere principalmente na fase do cortejo, uma vez que a interacção pessoal continua a ser a mais importante – tanto ao nível das relações amorosas como a todos os outros níveis. Questionados sobre a forma de comunicação de que sentiriam mais falta, caso a perdessem, a maioria dos jovens mencionaram o relacionamento face a face, pelo contexto e pela linguagem não-verbal – “especialmente importantes, dada a frequência com que usam o sarcasmo”, refere o estudo, feito com base em entrevistas a jovens norte americanos, com entre os 13 e os 17 anos. Nos lugares seguintes surgem as mensagens sms, as conversas telefónicas e o Facebook.
As redes sociais e os telefones móveis são usados como ferramentas sociais, que demonstram identificação com determinados interesses e valores ou pertença a determinados grupos. Desempenham, afinal, um papel semelhança ao do automóvel ou da mota, ou ainda do cigarro, noutros tempos, conclui o estudo.

