Fandom brand?
20 outubro 2011

A criação de uma marca tem implícito na sua estratégia envolver os consumidores nos seus princípios, valores, filosofias, ideais para que estes se identifiquem e desenvolvam um vínculo com a identidade da marca, participando na “vida” desta. Esta relação, que transcende a simples compra, pretende desencadear um envolvimento que transforme a marca numa selecção, numa preferência, no auge numa ideologia.

Esta relação que a marca desenvolve e vai aprimorando com o tempo ultrapassa os clientes habituais, é direccionada à comunidade de fãs, a fandom. Com base nas palavras de John Stubbing, director da Cricke, vamos aprofundar a relação entre as marcas e os fãs.

 “Brands don’t need to be at the centre of the community, but can inform and reinforce the glue bonding fans and users.”

A nova linguagem de gestão de marca inclui este novo conceito, o fandom. Esta forma de fidelizar os clientes, fortalecendo um vínculo e defesa à marca, tanto em ambientes B2B e B2C.

O conceito fandom tem implícito a mesma necessidade humana de pertença e de satisfação pessoal que à 5000 anos era apenas concretizada através da igreja, família e amigos. Actualmente este lugar de destaque pertence a empresas como a Apple, Harley-Davidson e Google, devido à aplicação de estratégias que visam desenvolver esta atitude pelas marcas, impulsionada principalmente pelos novos meios de comunicação que facilitam a aproximação da comunidade de fãs através das redes sociais.
Contudo, este movimento está a desabrochar numa época em que a preferência por descontos e as várias opções dadas a conhecer pelos novos media está a fazer diminuir o número de clientes fiéis a marcas especificas.

Mas o que é o fandom, devem as marcas arriscar, o que está em jogo?

Mais do que fãs, defensores
Os fãs mais próximos das marcas têm características comuns – sociais por natureza, de mente aberta, partilham as suas experiências e reconhecem quando cometem erros - por si só irão dinamizar a comunidade e mantê-la activa. A marca não necessita estar presente no centro da comunidade, mas sim no vínculo, na ligação que existe entre os fãs e utilizadores, é a cola que os une – a razão de ser da comunidade.

São fãs, não um cliente
A marca corre o risco de afastar os fãs se estes percepcionarem que o fandom é apenas mais um canal de comunicação de massa. O seu poder é muito maior do que uma ferramenta de angariação de massas.

A decisão de converter clientes em fã implica a perda de poder, abrir mão de alguns dos controlos que tradicionalmente estão nas mãos dos proprietários e que prezam bastante. Esta delegação de poder e controlo deixa alguns proprietários nervosos e com receio. Contudo, como em tantas outras coisas é necessário ter abertura, ser transparente, o mundo não vai acabar por tal acontecer.

Esta escolha irá permitir que as comunidades cresçam, demonstrando a sua atitude de paixão pela marca e confiança nos fãs, invés de apostar apenas em fóruns com conteúdos controlados e actividades de promoções de venda habituais. Esta atitude requer uma atitude corajosa, mas que será recompensada por super-fãs fiéis que defenderão a marca em qualquer situação.

Não guarde a informação só para si
Os fãs gostam de ser os primeiros a saber as novidades da marca e ter conhecimento de tudo sobre esta. Enquanto compradores e interessados, desenvolvem entre si conversas sobre questões, ideias e plataformas de inovação, devendo a marca desempenhar aqui o papel principal, o de facilitadora e líder do pensamento. Contudo, para obter isto, é necessário tempo e recursos dedicados para criar algo verdadeiramente útil e interessante para os actuais e futuros clientes.

Algumas dicas para criar uma fandom brand

  1. Transformar a marca numa marca social e de mente aberta, partilhar experiências e assumir os erros;
  2. Estabelecer a confiança absoluta no que a marca representa;
  3. Prepare-se para desistir de algum do controlo que tem na marca;
  4. Proporcionar um envolvimento activo para a comunidade on-line;
  5. Construir conversas - a marca deve ser um facilitador e líder de pensamento.

Uma nova atitude, uma nova linguagem, um estado de espírito e emocional para com a marca que irá pôr à prova marcas e consumidores. Está preparado? Confia nos fãs da sua marca?

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